Friday, April 20, 2018

Of Montreal - The Past is a Grotesque Animal



The past is a grotesque animal and in its eyes, you see
How completely wrong you can be
How completely wrong you can be

The sun is out, it melts the snow that fell yesterday
Makes you wonder why it bothered

I fell in love with the first cute girl that I met
Who could appreciate Georges Bataille
Standing at a Swedish festival
Discussing Story of the Eye
Discussing Story of the Eye

It's so embarrassing to need someone like I do you
How can I explain?
I need you here and not here too
How can I explain?
I need you here and not here too

I'm flunking out, I'm flunking out
I'm gone, I'm just gone
But at least I author my own disaster
At least I author my own disaster

Performance breakdown and I don't want to hear it
I'm just not available
Things could be different, but they're not
Oh, oh, things could be different, but they're not

The mousy girl screams, "Violence, violence!"
The mousy girl screams, "Violence, violence!"
She gets hysterical
'Cause they're both so mean
And it's my favorite scene

But the cruelty's so predictable
It makes you sad on the stage
Though our love project has so much potential
But it's like we weren't made for this world
Though I wouldn't really want to meet someone who was

Do I have to scream in your face?
I've been dodging lamps and vegetables
Throw it all in my face
I don't care

Let's just have some fun
Let's tear this shit apart
Let's tear the fucking house apart
Let's tear our fucking bodies apart
Let's just have some fun

Somehow, you've red-rovered the Gestapo circling my heart
And nothing can defeat you -- no death, no ugly world
You've lived so brightly -- you've altered everything
I find myself searching for old selves
While speeding forward through the plate glass of maturing cells

I've played the unraveler, the parhelion
But even Apocalypse is fleeting
There's no death, no ugly world
Sometimes, I wonder if you're mythologizing me like I do you
Mythologizing me like I do you

We want our film to be beautiful, not realistic
Perceive me in the radiance of terror dreams
You can betray me
You can...
You can betray me

Teach me something wonderful
Crown my head, crowd my head with your lilting effects
Project your fears onto me
I need to view them
See there's nothing to them
I promise you, there's nothing to them

I'm so touched by your goodness
You make me feel so criminal
How do you keep it together?
I'm all, all unraveled

But you know no matter where we are
We're always touching by underground wires

I've explored you with the detachment of an analyst
But most nights, we've raided the same kingdoms
And none of our secrets are physical
None of our secrets are physical
None of our secrets are physical now

Wednesday, April 18, 2018

Relendo Frederick Douglass

1. Frederick Douglass manifesta logo na abertura do seu livro que gostaria muito de saber seu aniversário e quantos anos tinha desde que era uma criança. Aos escravos não se dá uma noção de origem, de começo de biografia. Sua curiosidade é ao mesmo tempo perigosa, possivelmente tomada como indício de um espírito inquieto e, portanto, fonte de desconfiança.

2. Já logo de saída Douglass também afirma o seu caráter de mulato que é marca, de novo, de uma humanidade marcada desde o começo pela mais extrema privação: ele sabe que seu pai é um branco, supõe que seja o produtor/proprietário, provavelmente é o dono da fazenda, da sua mãe e dele mesmo. Ao contrário das afirmações comuns desde o período colonial de que o mulato/mestiço viveria uma espécie de paraíso, o mulato é fonte de intriga e conflito entre o senhor e sua esposa legítima e por isso é frequentemente vendido.

3. Ser mulato num livro que é mais que simples biografia, obra abolicionista, também significa destruir o argumento bíblico que os escravistas dos Estados Unidos invocavam: a fatídica maldição de Cam que daria o selo cristão à escravidão dos africanos já não se aplica aos mulatos que o escravismo produz aos milhares no sul dos Estados Unidos.

4. Terceira privação: a ausência da mãe. Douglass nos informa que é costume em Maryland separar o mais rápido possível a mãe do filho, alugando-a para algum proprietário distante da fazenda e deixando a criança aos cuidados de uma escrava idosa [que já não consegue mais trabalhar no eito]. Trabalhando no eito distante 12 milhas ela ainda consegue visitar a criança quatro ou cinco vezes.

5. O primeiro capítulo termina com uma outra experiência formadora do escravo ["a bloody transaction"]: Douglass ainda criança assiste pela primeira vez a uma violentíssima cena de espancamento. Tia Hester ousa desobedecer o patrão e sai à noite para se encontrar com outro escravo. Furioso [possivelmente ciumento] o senhor da fazenda chicoteia até que o sangue pingue no chão.

6. E então, no segundo capítulo, chega a descrição do canto dos escravos, o canto que sai das vozes daqueles poucos escolhidos para ir levar ou trazer alguma coisa da casa-grande central [Douglass descreve um complexo de fazendas menores em volta de um grande centro onde vive o Senhor de todos os escravos]. No canto do escravo uma fonte poderosa de expressão da tristeza com o cativeiro. Para Douglass uma evocação do primeiro vislumbre da dolorosa desumanização da escravidão mas, paradoxalmente, um poderoso testemunho de sobrevivência como seres humanos. Cantar para Douglass é expressar a tristeza. Mas cantar também é dizer, apesar de tudo, "eu existo!"

Monday, April 02, 2018

Traduzindo: O Complexo Industrial do Branco-Salvador de Tejo Cole


O Complexo Industrial do Branco-Salvador
Teju Cole, 21 de março de 2012 [Publicado na revista Atlantic]

 Se vamos nos meter na vida dos outros, um pouco de escrúpulo é o requerimento mínimo.
Faz uma semana e meia eu assisti ao vídeo Kony2012. Escrevi em sequência uma breve resposta dividida em sete partes, que postei em sequência na minha conta do Tuíter:

1.     Do Goldman-Sachs ao colunista Nicholas Kristof passando pelo movimento Invisible Children e as conferências TED, a indústria que mais cresce nos Estados Unidos é o Complexo Industrial do Branco-Salvador.

2.     O Branco-Salvador apoia políticas de violência de manhã, patrocina instituições de caridade à tarde e recebe prêmios à noite.

3.     A banalidade do mal se transmuta na banalidade do sentimentalismo. O mundo inteiro não passa de um problema a ser resolvido pelo seu entusiasmo.

4.     Esse mundo a resolver existe para satisfazer às necessidades – incluindo, é importante, as necessidades sentimentais – dos brancos e de Oprah Winfrey.

5.     O Complexo Industrial do Branco-Salvador não tem nada a ver com justiça. Trata-se de prover uma grande experiência emocional que dê legitimidade ao seu privilégio.

Add caption
6.     Preocupe-se febrilmente com aquele terrível africano que é chefe de uma facção armada. Mas saiba que perto de 1.5 milhão de Iraquianos morreram por causa da guerra estadunidense do momento. Preocupe-se também com isso.

7.     Eu tenho um profundo respeito pelo sentimentalismo estadunidense do mesmo jeito que respeito a um rinoceronte ferido. É melhor ficar sempre de olho, por que você sabe que ele é letal.       

Monday, March 26, 2018

Viva la mídia loca: Sugestões para uma nova ficção histórica livremente baseada em fatos reais, ou O POLVO É O SISTEMA


-->
Sinopse:

Luis Geraldo da Silva jovem
1926: Horrorizado com a situação deplorável de violência na repressão às greves que apoiam o governo popular do grande democrata Washington Aluísio, o pusilânime líder sindical Luis Geraldo da Silva [conhecido pelos companheiros de tramas como “Polvo”] exclama com a sua voz gutural e sua língua presa: “a questão social é um caso de polícia.

1930: Recém empossado presidente revolucionário, presidente gaucho baixinho e gorduchinho se encontra com o Polvo no Baile da Ilha Fiscal abraçado a uma garrafa de champagne. O Polvo Barbudo lhe dá um conselho que ouviu de um escocês de nome MacAvelle: Presidente, “aos amigos, tudo; aos inimigos, os rigores da Lei.

1954: Presidente Geromel Vargas visita área devastada por rompimento de barragem com dejetos de mineradora de nome “Válida Rio 2”. Horrorizado ele acusa seu opositor Marlos Laterza [grande amigo do pérfido Polvo] de criar aquele “mar de lama” e pede que os militares tirem seu inimigo do cargo de líder da oposição o mais rapidamente possível. Geromel Vargas se vira para seu assessor, o sempre fiel e pacato Antonino Marlos Cagalhães [o famoso AMC] e desabafa “Tenho a impressão de me encontrar sob um mar de lama.”

Luis Geraldo da Silva adulto
1964: Um golpe no dia da mentira – muitos não acreditam no que está acontecendo, pensando ser apenas mais um trote de mal gosto do Polvo. Mas o jornal carioca tradicional de nome “O Lobo” estampa corajosamente nas manchetes do dia 2 de abril de 1964: “O povo unido jamais será vencido!” e conclama o povo à resistência democrática contra o Golpe Sindicalista liderado pelo Polvo.

1968: Ex-governador com forte sotaque gaúcho de nome Leonel Brachola em reunião do governo dictatorial-sindicalista e defende o lançamento do temido Ato Oficial 5 [AO-5]. O tímido mas democrático ministro da justiça de nome Pássaro Jarbinho faz objeções, mas Brachola bate na mesa e berra "Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência." O Polvo gargalha em júbilo enquanto Jarbinho sai da sala já algemado, cantarolando “Caminhando e Cantando” da dupla Camargo Correa e Mariano.

1984: Perguntado sobre a sua tese de doutorado na Sorbonne, o presidente-general João Goiabeira ajeita a farda verde-oliva e os óculos Ray-Ban e declara a um grupo de militantes de esquerda embasbacados: "esqueçam o que escrevemos no passado, porque o mundo mudou e a realidade hoje é outra". Começa a abertura política, que nas palavras de Goiabeira será “rápida, súbita e lancinante!” O Polvo chora decepcionado com a volta da democracia.

1989: Em comício eleitoral em cidade do sertão nordestino o candidato a presidente da oposição histórica à ditadura sindicalista Fernandino Enrique Cândido (conhecido como FEC) brada no fim do seu discurso “Nasci com aquilo roxo!” Horrorizado o Polvo assiste pela televisão de 250 polegadas e acaricia seu aparelho de som de último tipo enquanto lamenta: “Esse é o verdadeiro caçador de marajás!”
Luis Geraldo da Silva e seu filho, conhecido como "Polvilho"